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IA em compras: 63% esperam ganho, só 25% mudaram o trabalho
Pesquisa do Gartner de outubro de 2026 mostra que 63% dos líderes de compras esperam ganho relevante com IA, mas só 25% redesenharam cargos. Veja por que a ferramenta sozinha não entrega resultado e o que fazer antes de ligar o robô.

Em 8 de outubro de 2026, o Gartner divulgou uma pesquisa com líderes de compras: 63% esperam que a IA melhore de forma significativa o desempenho da área nos próximos três anos. Mas só 25% redesenharam cargos ou funções por causa da IA que já implantaram.
Ou seja: a ferramenta chega, o trabalho continua desenhado como antes. O Gartner chama o risco disso de "job chaos", o caos de funções. E o problema não é só de compras. Ele aparece em qualquer área que automatiza tarefas sem mudar quem faz o quê.
O que a pesquisa mostra
Os dados vêm de duas pesquisas encerradas em abril de 2026: uma com 213 líderes de compras e outra com 1.303 executivos de várias áreas. Os pontos principais:
- O trabalho de nível intermediário é o mais pressionado. São as tarefas padronizadas, feitas todo dia do mesmo jeito. É exatamente o que a automação absorve primeiro.
- A demanda se desloca para as pontas. De um lado, funções operacionais apoiadas por IA. Do outro, funções que pedem criatividade e solução de problemas complexos.
- Redesenho não é evento único. Segundo a analista Fareen Mehrzai, a função precisa ser ajustada continuamente, à medida que a IA avança.
Dois dias antes, outra pesquisa do Gartner, com 297 diretores de RH, trouxe um dado complementar: só 24% das lideranças estão alinhadas sobre quem é responsável pelos agentes de IA. E os agentes, diz o Gartner, empurram para as pessoas o trabalho de ambiguidade, julgamento e correção de falhas.
Por que comprar a ferramenta não basta
Quando a automação entra sem redesenho, três coisas costumam acontecer:
- O analista faz o trabalho antigo e ainda confere o robô. O ganho some na revisão em dobro.
- As exceções ficam sem dono. O robô para numa nota divergente e ninguém sabe quem decide.
- O time resiste. Sem saber o que muda no próprio cargo, as pessoas criam atalhos manuais "por segurança".
A pesquisa global de compras da Deloitte (agosto de 2025, mais de 250 líderes em 40 países) aponta na mesma direção. Os maiores obstáculos para gerar valor foram trabalho em silos (57%), prioridades concorrentes (46%) e falta de capacidade para executar (40%). Não falta de tecnologia. E o grupo mais digital relatou retorno médio de 3,2 vezes sobre o investimento em IA generativa, contra pouco mais de 1,5 vez projetado pelos demais.
A diferença está menos na ferramenta e mais em como o trabalho foi reorganizado em volta dela.
Exemplo: o ciclo de compras de uma empresa média
Pense no caminho padrão: requisição, cotação, pedido, recebimento, conferência da nota fiscal e lançamento no ERP. Hoje, o comprador faz quase tudo isso à mão. Com o redesenho, fica assim:
- Robô (RPA): consolida requisições, envia pedidos de cotação, monta o mapa comparativo, confere NF-e contra pedido e recebimento e lança no ERP o que bate. São regras fixas, sem margem de interpretação.
- IA: lê propostas em PDF e e-mails de fornecedores, extrai preço, prazo e condição, e sugere o motivo provável de cada divergência.
- Pessoa: negocia, decide as exceções, avalia e desenvolve fornecedores, e cuida das compras estratégicas.
O cargo de comprador não acaba. Ele muda de foco: sai do preenchimento e vai para a decisão. Mas isso só funciona se estiver escrito, combinado com o time e refletido em metas. Se a diferença entre RPA e IA ainda gera confusão por aí, vale ler por que RPA não é IA.
O que fazer antes de ligar o robô
- Liste tarefas, não cargos. Sente com o time e quebre cada função nas atividades reais do dia a dia.
- Classifique cada tarefa. Regra fixa e repetitiva vai para o robô. Leitura de documento e texto livre, para a IA com conferência. Julgamento e relacionamento ficam com a pessoa.
- Dê dono para cada automação e para as exceções. Quem acompanha o robô? Quem decide quando ele para? Isso precisa ter nome.
- Reescreva a função antes do go-live. O que a pessoa deixa de fazer, o que passa a fazer e como será avaliada.
- Crie um espaço de teste sem punição. O Gartner recomenda um "sandbox" onde o time experimenta sem medo de errar.
- Meça o antes e o depois. Tempo de ciclo do pedido, percentual de exceções e retrabalho. Veja como medimos o retorno.
Nem todo processo de compras compensa automatizar agora. Volume, regra clara e sistemas estáveis contam muito. Use estes critérios para escolher por onde começar.
Para fechar
A expectativa com IA está alta e o investimento também. O que separa quem colhe resultado de quem acumula ferramenta parada é o desenho do trabalho: o que fica com o robô, o que fica com a IA e o que fica com as pessoas. Vale para compras, para o financeiro, para o fiscal e para o RH.
Na Autoomatic, mapeamos o processo com o seu time, separamos o que é tarefa de robô, de IA e de gente, e entregamos a automação já com dono e regra para as exceções. E você vê o robô funcionando antes de investir. Fale com a gente.
Fontes
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