Insights RPA
IA acelerou a decisão em 81% das empresas. E o processo?
A Deloitte ouviu 3.500 executivos: 81% ganharam velocidade com IA, mas só 25% transformaram processos e apenas 44% sabem o custo por unidade. Veja como redesenhar um processo antes de automatizar, com exemplo de contas a pagar.

A Deloitte publicou em 29 de outubro de 2026 a nova edição do State of AI in the Enterprise, com 3.500 diretores e executivos de 25 países. O número que mais chama atenção: 81% das empresas dizem que a IA deixou suas decisões e execuções mais rápidas. Mas só 25% usam IA para transformar o negócio de verdade, criando produtos novos ou redesenhando processos centrais. O resto ganhou velocidade em cima do mesmo fluxo de sempre.
Para quem dirige uma operação, essa diferença importa mais do que parece. Processo ruim acelerado continua sendo processo ruim. Só que agora ele gera erro mais rápido.
Velocidade não é transformação
O relatório mostra que a maioria das empresas está usando IA para fazer a mesma coisa em menos tempo. Isso tem valor, mas tem teto. Segundo a Deloitte, 60% das empresas redesenharam cargos em torno da IA em algum grau, mas apenas 15% mudaram de forma relevante quem decide o quê. Ou seja: a ferramenta mudou, a estrutura de decisão não.
Os ganhos financeiros confirmam esse descompasso. 28% das empresas relatam aumento de receita atribuído à IA, acima dos 20% da edição de janeiro. É uma melhora, mas ainda é minoria. A Gartner trouxe um retrato parecido no seu IT Symposium de 19 de outubro: em pesquisa com mais de 1.000 líderes de áreas de negócio, 58% relataram algum valor positivo das iniciativas de IA. Quatro em dez ainda não viram retorno.
A leitura prática é simples. Colocar um assistente de IA em cima de uma rotina manual acelera o trabalho de quem já fazia aquilo. Redesenhar o processo é outra coisa: significa tirar etapas, trocar aprovações por regras, e deixar o robô executar o que é repetitivo de ponta a ponta. É aí que entra a automação de processos com RPA, que faz a parte operacional, enquanto a IA cuida da parte que exige interpretação.
O custo que quase ninguém mede por unidade
Outro dado do relatório explica por que o retorno demora a aparecer. 71% das empresas acompanham o gasto total com IA (inferência e APIs). Mas só 51% medem volume de tokens e apenas 44% sabem quanto custa cada unidade processada. Sem o custo unitário, não dá para responder à pergunta básica: vale a pena?
Em automação de processos, esse cálculo é obrigatório antes de começar. Custo por nota processada, por pedido conferido, por admissão concluída. Se o custo do robô por transação não for claramente menor que o custo manual, com erro e retrabalho incluídos, o projeto não deveria sair do papel. Explicamos o método em como medimos o retorno e você pode simular o seu caso na calculadora de ROI.
Autonomia cresce mais rápido que o controle
O ponto mais sensível do relatório é a governança. 40% das empresas já permitem que a IA execute decisões sem aprovação humana, ao menos em grau moderado. Ao mesmo tempo, 23% admitem que não está claro quem responde quando o sistema produz um resultado ruim. A Gartner complementa: 71% dos líderes de tecnologia esperam implantar agentes de IA nos próximos 12 meses, mas só 21% têm capacidade de governança para isso.
A recomendação da Deloitte é direta: o controle tem que crescer junto com a autonomia e com o impacto de cada sistema. Um robô que digita dados de nota fiscal no ERP precisa de um tipo de controle. Um agente que aprova pagamento precisa de outro, bem mais rígido. Vale lembrar que RPA não é IA: o RPA segue regras fixas e é auditável por natureza, o que o torna a camada mais segura para executar o que a IA sugere.
Como redesenhar um processo de verdade
Antes de colocar IA ou robô em qualquer rotina, vale passar por estes critérios:
- Mapeie o fluxo atual com tempos reais. Quantas etapas, quantas mãos, quanto tempo parado em fila de aprovação. O gargalo quase nunca está onde o gestor imagina.
- Elimine antes de automatizar. Etapa que existe só por hábito não merece robô. Aprovação que nunca reprova pode virar regra automática.
- Defina o custo unitário de hoje. Inclua retrabalho, multa, atraso e hora de quem corrige. Esse é o número que o projeto precisa vencer.
- Separe o que é regra do que é julgamento. Regra vai para o RPA. Julgamento vai para a IA ou para uma pessoa, com registro de quem decidiu.
- Combine o controle com o risco. Quanto mais autonomia, mais log, mais alçada e mais revisão por amostragem.
Para saber se a rotina passa no teste, veja quando faz sentido automatizar.
Exemplo: contas a pagar
Uma indústria de médio porte recebe 2.000 notas fiscais de fornecedor por mês. No fluxo antigo, o analista baixa o XML, confere com o pedido de compra, lança no ERP e manda para aprovação do gestor, que aprova tudo sem olhar porque não tem tempo. Colocar IA para "ler a nota mais rápido" acelera o analista, mas mantém as quatro etapas e a aprovação de fachada.
No fluxo redesenhado, o robô captura o XML direto da caixa de e-mail ou do portal, cruza com o pedido e lança no ERP sozinho quando valor, CNPJ e itens batem. Só a divergência vai para uma pessoa, com o motivo já apontado. A aprovação do gestor passa a existir apenas acima de uma alçada definida. O resultado é menos etapas, custo unitário conhecido, trilha de auditoria completa e o gestor olhando só o que importa. É o mesmo princípio do nosso case de emissão de notas fiscais: o ganho veio de tirar etapas, não só de acelerá-las.
O que fazer agora
Escolha um processo com volume alto e regra clara. Meça o custo unitário de hoje. Redesenhe o fluxo cortando etapas antes de automatizar. Coloque o robô na execução, a IA na interpretação e uma pessoa na exceção. Só então escale.
Na Autoomatic, a gente começa pelo mapeamento do processo e pela conta do custo por transação, e só depois constrói o robô. E você vê o robô funcionando antes de investir. Fale com a gente.
Fontes
- Deloitte, "Enterprise AI Enters an ROI Reckoning: More Use, Uneven Value" (State of AI in the Enterprise), outubro/2026: deloitte.com
- Deloitte Insights, "Business and IT leaders report AI agents are scaling faster than their guardrails", abril/2026: deloitte.com
- Gartner, keynote do IT Symposium/Xpo "AI Risk is Rising Faster Than AI Value", outubro/2026: gartner.com (números conforme cobertura da Capital.com, outubro/2026)
Continue explorando
Artigos relacionados
Artigos Relacionados

Tendências Gartner 2027: o que muda nos seus processos
O Gartner divulgou em outubro as 10 tendências estratégicas para 2027. Quatro delas mudam a forma de automatizar processos: contexto de dados, identidade de agentes, automação por voz e números, e aplicações descartáveis. Veja o que fazer nos próximos 90 dias.

Agentes de IA sem dono: o risco silencioso que o RPA ajuda a controlar
Criar um agente de IA ficou fácil. Difícil é saber, meses depois, quantos existem, quem responde por eles e que dados acessam. Entenda o risco e por onde começar.

IA em compras: 63% esperam ganho, só 25% mudaram o trabalho
Pesquisa do Gartner de outubro de 2026 mostra que 63% dos líderes de compras esperam ganho relevante com IA, mas só 25% redesenharam cargos. Veja por que a ferramenta sozinha não entrega resultado e o que fazer antes de ligar o robô.